ALUNOS E PROFESSORES DA UFMA – CAMPUS PINHEIRO SOLICITARAM O APOIO DOS VEREADORES PARA O FORTALECIMENTO DA INSTITUIÇÃO NA CIDADE

professor Arkley Marques Bandeira

Alunos da UFMA – Campus Pinheiro sairão em protesto hoje (29) pelas ruas da cidade para sensibilizar a sociedade civil e o poder público em geral sobre as demandas inerentes ao pleno funcionamento da instituição. Os alunos e professores percorreram ruas e avenidas até a Sede do Poder Legislativo Municipal onde puderam participar da sessão e tomar parte para expor suas reclamações, o professor Arkley Marques Bandeira subiu à tribuna e falou em nome de todos, inicialmente agradecendo o espaço e em seguida solicitando a todos os vereadores que pudessem intervir junto as esferas estadual e federal, para garantir que o Campus de Pinheiro pudesse ser uma universidade autônoma, tendo em vista que, de acordo com o professor o orçamento da UFMA ainda é centralizado, fato que chocou os parlamentares.

Logo em seguida o professor Arkley leu na tribuna, uma carta aberta contendo todas as reivindicações e anseios da instituição de ensino que segue transcrita abaixo na íntegra:

CARTA ABERTA EM DEFESA DA UFMA CAMPUS DE PINHEIRO

A Universidade Federal do Maranhão, desde a década de 1980, vem atuando na Baixada Maranhense, com o foco no município de Pinheiro, por meio da oferta de Cursos de Extensão e outros projetos de ensino e pesquisa, funcionando em caráter não formal até 2010.

Em decorrência do processo de expansão das universidades para o interior do Brasil com a criação do REUNI – Projeto do Governo Federal, assinado pela UFMA, em 2007 e gestado desde então, foram implantados diversos campi no interior do Maranhão para abrigar os cursos de Licenciatura em Ciências Humanas e Ciências Naturais.

Em Pinheiro, a UFMA passou a funcionar no prédio do DNOCS, na Prainha, abrigando os Cursos de Licenciatura citados. Naquele momento, as condições eram muito precárias, com a Instituição funcionando num prédio adaptado de um antigo hotel. Além disso, professores tiveram que trabalhar em condições insalubres e alunos assistirem aulas e realizarem sua formação em um ambiente inadequado.

No ano de 2012, foi inaugurado o prédio da UFMA na estrada de Pacas. As condições foram melhoradas e os professores, técnicos e alunos puderam encontrar um ambiente bem mais adequado para a realização de suas atividades. O processo de expansão continuou e outros cursos foram criados e implantados, a exemplo de Medicina (2014), Enfermagem (2014), Educação Física e Engenharia de Pesca (2015).

Até 2015, esses cursos tiverem que dividir o espaço físico com as Licenciaturas (apenas 8 salas de aula para 6 cursos). Apesar das dificuldades, professores, gestores, técnicos e alunos foram tentando se adaptar a este crescimento, visto que esta situação era provisória, uma vez que foram feitas promessas de investimentos de recursos federais para a construção dos prédios que abrigariam os cursos recém-criados.

Depois de muita espera o prédio da Saúde foi construído com recursos do REUNI e do Programa Mais Médicos, do Governo Federal, com mais salas e laboratórios, abrigando majoritariamente o Curso de Medicina, mas também os cursos de Enfermagem e Educação Física.

O curso de Engenharia de Pesca – sem salas, laboratórios e livros desde a sua criação, resolveu ocupar um antigo prédio da UFMA cedido ao Governo do Estado que fica na área do Campus. No entanto, seu funcionamento, mesmo que provisório, foi custeado pelos professores de Engenharia de Pesca e de Educação Física, pois a gestão superior, apesar de diversas solicitações, não disponibilizou naquele momento a estrutura necessária para o funcionamento do curso.

O Curso de Educação Física, em condições ainda piores, não dispõe sequer de uma quadra poliesportiva adequada para a realização de suas aulas práticas, bem como também não tem acesso a equipamentos básicos, tais como bolas, argolas, tatames, etc.

Ademais, há também problemas no que diz respeito a quantitativo de servidores para prestar serviços de maneira satisfatória a comunidade acadêmica. A Biblioteca no Campus, que atende aos seis cursos do Centro e que deve funcionar das 8h às 21h, só conta atualmente com uma bibliotecária, 2 que regimentalmente deve trabalhar apenas 6h por dia de forma ininterrupta, o que prejudica atendimento ao público, que não pode contar com os serviços da Biblioteca o dia inteiro.

Estes são apenas alguns exemplos das dificuldades enfrentadas pelo Campus de Pinheiro que, pacientemente, acreditando que os gestores superiores precisavam de tempo para resolver as demandas dos cursos recém-criados e dos já existentes, esperou que a situação fosse regularizada, inclusive contando com os recursos pessoais dos docentes e a sua boa vontade, fazendo cotas para que as atividades do campus não fossem paralisadas, prejudicando ainda mais a formação dos alunos.

Somem-se a isto os problemas estruturais comuns a todos, tais como a falta de iluminação do espaço externo do campus, gerando perigo para os que transitam ali principalmente no período noturno; falta de vigilantes, o que agrava o clima e insegurança; inexistência do muro para proteger os que ali se encontram; a livre circulação de animais, gerando perigo aos transeuntes e possibilidade de acidentes e transmissão de doenças; internet que não suporta a demanda do Centro; falta de salas de aulas para abrigar todos os cursos; obras paradas ou não concluídas, gerando prejuízos a todos.

Desta forma, depois de se esperar a resolução de tais problemas pacientemente e ordeiramente durante todos esses anos, os alunos, docentes, técnicos e gestores, representados pelo Conselho de Centro do CCHNST, resolveram adiar o início do semestre letivo de 2017 até que os problemas estruturais básicos sejam resolvidos.

A paralisação das aulas do UFMA – Pinheiro não traz impactos apenas ao público universitário, pois diferentemente dos ínfimos reflexos da UFMA dos anos 80 na região, atualmente, ela influencia significativamente a cidade e os municípios do entorno, gerando emprego, renda, conhecimento, pesquisa, extensão, formando uma geração de jovens que podem modificar profundamente os baixíssimos índices de desenvolvimento humano desta região.

Se estamos adiando agora o início do semestre – medida drástica, porém no momento, infelizmente, necessária –, é porque estamos comprometidos com a Universidade Pública, sobretudo, aquela resultante do projeto de expansão, pois em regiões carentes como a baixada maranhense a presença de uma Universidade faz uma grande diferença. E se a falta de estrutura gerar o fracasso desse projeto, levando ao fechamento de cursos sem condições de funcionar atualmente, tais como o de Educação Física, Engenharia de Pesca, Enfermagem e Medicina, por exemplo, o impacto negativo será na própria região.

Portanto, estamos lançando um grito de alerta em defesa da UFMA de Pinheiro; precisa-se de mais estrutura para funcionar e de um orçamento para que as atividades do campus não precisem depender completamente da UFMA de São Luís, como ocorre atualmente.

Contamos, assim, com o apoio de todos os setores da sociedade civil para que possamos lutar em favor da UFMA em Pinheiro, uma luta legítima e em prol de melhores condições de trabalho e de funcionamento dos Curso ali presentes.

Pinheiro, 29 de março de 2017.

Logo após a leitura da carta aberta os vereadores se manifestaram surpresos com a situação. Todos os vereadores se declararam apoiadores da causa, e algumas medidas ficaram sinalizadas como:

  • Caso a empresa de transporte parar de cumprir o acordo de entrar nas dependências da universidade e a polícia não manter/inserir em seu roteiro de rondas o Campus, o legislativo formulará e aprovará uma lei que os obriguem a tal situação;
  • Outro ponto debatido é a possibilidade da câmara acionar a bancada maranhense na câmara federal para intervir nos órgãos competentes para sanas as problemáticas apresentadas;
  • Foi discutido por alguns vereadores a criação de uma comissão de vereadores para fazer uma visita ao Campus;
  • Uma reunião entre os vereadores e a reitoria com o objetivo da descentralização da UFMA também foi cogitada;

Durante a seção o Presidente Elizeu de Tantan entrou em contato com o Prefeito Municipal e acertou uma reunião entre o executivo, legislativo e representantes dos estudantes e professores onde seria tratadas as medidas emergenciais que podem ser tomadas de imediato.

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